domingo, 7 de dezembro de 2014

O que é o IPAC - Três Marias?



O Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Três Marias é um trabalho de identificação dos principais bens culturais existentes no município. Iniciado em 2003, o IPAC contemplou  145 bens culturais que foram identificados como sítios naturais, conjuntos paisagísticos, bens imóveis, bens móveis e o patrimônio imaterial existente na zona urbana de Três Marias, no Distrito de Andrequicé e em toda zona rural do município. 

Abaixo veja a lista com todos os bens inventariados nas suas respectivas áreas de inventário.



Em 2013, iniciou-se a etapa de divulgação do IPAC, na qual foram feitas diversas ações que contribuirão para que o público possa conhecer os bens inventariados e, assim, contribuir para sua preservação. Entre as ações está a criação deste blog, no qual você pode conhecer os bens culturais inventariados e autorizados pelos seus responsáveis para serem divulgados

Na Divisão de Cultura da Prefeitura Municipal de Três Marias, você pode saber um pouco mais sobre a história, técnica construtiva, importância simbólica do patrimônio e outras características presentes nas fichas de inventário. Para tanto, agende uma visita através do email: patrimoniocultural@tresmarias.mg.gov.br ou do telefone (038) 3754-5334.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Bens Culturais da Seção I – Sede urbana de Três Marias


A seção I, denominada Distrito Sede, possui 51 bens inventariados que nos mostram como a cidade de Três Marias surgiu e se desenvolveu nas últimas seis décadas. A origem do núcleo urbano de Três Marias está definitivamente ligada ao início das obras de construção da barragem de Três Marias, empreendimento pioneiro da ocupação da localidade. Idealizada pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, o principal objetivo da barragem era controlar a vazão do rio, sobretudo no trecho entre a cidade de Pirapora e Paulo Afonso, facilitando a navegação nos períodos de seca, controlando as enchentes nos períodos de chuva e possibilitando o aproveitamento das águas para fins energéticos.

Um convênio estabelecido com a CEMIG e a CVSF em 1956 transferiria para a empresa mineira as responsabilidades pela fiscalização, acompanhamento geral e aproveitamento do represamento das águas da barragem para a construção de uma usina hidrelétrica.A execução do projeto de construção da barragem e aproveitamento hidrelétrico da mesma foi objeto de concorrência vencida pela empresa canadense Morrisen Knudsen Company Incorporated, que fundaria sua filial brasileira com o nome de Companhia Construtora Corinto – CCC.

A construção da barragem teve início em 1956 e foi concluída em 1961. Atualmente, a represa possui aproximadamente 1040 quilômetros quadrados de superfície e banha oito municípios: Três Marias, São Gonçalo do Abaeté, Morada Nova de Minas, Biquinhas, Paineiras, Abaeté, Pompéu e Felixlândia. 

Todas estas obras foram executadas em um curto espaço de tempo. Para cumprir a data de entrega determinada por Juscelino Kubitschek, foi preciso empreender atividades em até dois turnos diários contando com a força de trabalho de cerca de 10.000 homens. 

Para receber este contingente populacional, na segunda metade da década de 1950, foram construídos o acampamento da CEMIG e a Vila Satélite destinados aos operários que trabalhavam nas obras da barragem e da hidrelétrica. As terras destes acampamentos, assim como áreas destinadas para a implantação dos empreendimentos e boa parte de seu entorno, incluindo as áreas que seriam destinadas ao acampamento do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem e parte do antigo povoado de Barreiro Grande foram desapropriadas pela Comissão do Vale do Rio São Francisco. Por volta de 1955 e 1956, iniciou-se a formação do povoado de Barreiro Grande, que em alguns anos transformar-se-ia no centro da cidade de Barreiro Grande. Um ano depois surgiria o loteamento que fundaria o bairro Joaquim Lima, o segundo da cidade.

O movimento de pessoas na região era intenso, sendo promovido não só pelas grandes obras realizadas no local, como também pela posição geográfica que colocava Três Marias como um entreposto entre a nova capital em Brasília, ainda em construção, e parte do sudeste e nordeste do país.*Além das obras da barragem e da hidrelétrica, dois outros grandes empreendimentos movimentariam a localidade. 

O primeiro foi a construção da rodovia que ligaria o Rio de Janeiro à nascente capital federal, para a qual foi estabelecido o acampamento do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) localizado entre o Barreiro Grande e a Vila Satélite. 

O segundo grande empreendimento foi a construção da Companhia Mineira de Metais, pertencente à família Ermírio de Morais. O início das obras de construção da fábrica que dedicar-se-ia a produção de zinco foi em 29 de setembro de 1956, mas a produção começaria somente por volta de 1969. Apesar de movimentar centenas de trabalhadores, a vila da Mineira, como é conhecido o bairro dos funcionários da empresa, só estaria finalizada na década de 1970.

Os elementos apontados acima caracterizam o início do processo de formação histórica da cidade de Três Marias e podem ser resumidos da seguinte forma: os acampamentos da CEMIG e do DNER, a Vila Satélite e o povoado de Barreiro Grande são as bases da formação de uma cidade que nasceria totalmente influenciada pela implantação de grandes empreendimentos industriais.

O inventário desenvolvido nesta área buscou abranger bens culturais capazes de representar os elementos indicados acima. Para facilitar essa compreensão, apresentaremos estes bens divididos em 08 grupos, sendo eles: 
1) Seção I – Bens Culturais do acampamento da Cemig
2) Seção I – Bens culturais da CODEVASF
3) Seção I –  Bens culturais da Vila Satélite
4) Seção I – Bens Culturais da Vila da Mineira
5) Seção I – Bens culturais do acampamento do DNER
6) Seção I – Bens culturais imóveis do antigo Barreiro Grande
7) Seção I – Arquivos históricos da sede urbana de Três Marias
8) Seção I – Grupo Sítios Naturais e Conjuntos Paisagísticos próximos a Sede Urbana de Três Marias.

Antes de passarmos para estes bens é importante indicar que o inventário desta seção foi realizado durante o ano de 2006, sendo precedido de um diagnóstico que abarcou cerca de 150 bens materiais e imateriais existentes na sede urbana. Destes 150 bens, foram selecionados 51 bens para serem inventariados, sendo 25 bens imóveis, 02 arquivos, 08 bens móveis, 09 sítios naturais, 01 bem imaterial e 06 bens identificados como um conjunto de ruínas que foram inseridos na categoria de ‘outros’. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Seção I – Bens Culturais do acampamento da Cemig



Os bens culturais que serão apresentados neste grupo são resultado de um processo histórico que teve início com a barragem de Três Marias. Idealizada pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), criada pela lei nº 548, em 15 de dezembro de 1948, seu principal objetivo era regular a vazão do rio, sobretudo no trecho entre a cidade de Pirapora e o nordeste, facilitando a navegação nos períodos de seca, controlando as enchentes nos períodos de chuva e possibilitando o aproveitamento das águas para fins energéticos.

Um convênio estabelecido com a CEMIG e a CVSF em 1956 transferiria para a empresa Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG as responsabilidades pela construção, fiscalização, acompanhamento geral e aproveitamento do represamento das águas da barragem para a construção de uma usina hidrelétrica.

A concorrência entre empreiteiras que deveriam executar as obras foi vencida pela empresa canadense Morrisen Knudsen Company Incorporated, que fundou uma filial brasileira com o nome de Companhia Construtora Corinto – (CCC).

A construção da barragem teve início em 1956 e foi concluída em 1961. Na época, a construção da barragem movimentou milhares de trabalhadores e atraiu outros milhares de pessoas para a região que estava em franca expansão.
No final da década de 1950, foi construído o acampamento da CEMIG voltado para estabelecimento de oficinas, moradias, espaços de lazer e serviços destinados a atender as famílias dos operários e técnicos encarregados de construir a barragem e a usina hidrelétrica Três Marias.Segundo o livro Memórias de Três Marias de João Gonçalves Neto, o acampamento da CEMIG possuía uma separação dos conjuntos habitacionais que seguia “(...) aos critérios de importância individual, tendo como referência as qualificações profissionais dos empregados e a nacionalidade dos mesmos.” Surgia assim uma separação inicial entre o acampamento dos “americanos” e o acampamento dos brasileiros. Ainda não foram feitos levantamentos específicos sobre o perfil das edificações do acampamento dos americanos, sendo que durante o Inventário do Patrimônio Cultural - IPAC os esforços foram concentrados nos levantamentos do conjunto residencial destinados aos brasileiros. Sabe-se que este conjunto era destinado sobretudo aos funcionários dos estratos médio e superior da hierarquia das empresas envolvidas, sendo o acampamento dividido entre as edificações conhecidas como “casas de uma família”, “duas famílias” e “quatro famílias”.

Além dos escritórios, oficinas e do conjunto residencial, o acampamento contava também com um grupo escolar, hospital, cemitério, frigorífico, restaurante, clube social, comércios, restaurante, cinema, alojamentos e  uma casa de visitas. 

De modo geral, as edificações destinadas ao uso residencial tinham a cobertura de telhas de zinco, o alicerce de cimento e as paredes de madeira, com revestimento interno de eucatex. Diversos informantes relatam que incêndios eram recorrentes devido à presença desses materiais inflamáveis.

Os serviços hospitalares e educacionais existentes no acampamento da CEMIG atendiam pessoas de toda a região, o que transformava o local em uma referência para toda a população independente de sua ligação com a empresa.

O projeto inicial da CEMIG previa um prazo de cinco anos para finalização das obras de extinção do acampamento. Em 1961, boa parte das obras foram entregues, mas o acampamento continuava a existir e desempenhar serviços normalmente.  Contudo, após a deflagração do golpe de 1964, o governo militar, que considerava a hidrelétrica de Três Marias como ponto estratégico da segurança nacional, passaria a controlar de maneira incisava a entrada e circulação de pessoas no acampamento.

Esse controle, que foi se implantando aos poucos, levaria ao declínio de alguns dos serviços prestados no acampamento e, posteriormente, à retomada do projeto de eliminar os conjuntos residenciais destinados aos operários das obras de construção da barragem e da hidrelétrica.

No início da década de 1970, o acampamento começou a ser desmanchado, e os moradores poderiam desmontar as edificações e levar os materiais. Os funcionários que permaneceriam na empresa seriam transferidos para a nova vila da CEMIG, localizada onde era o antigo acampamento dos “americanos” que, posteriormente, ficou conhecido como Pilar. Parte dos serviços também foram transferidos para esse local e alguns funcionam até hoje como escola, restaurante, hotel e serviços administrativos da empresa.

Durante o inventário realizado no ano de 2006, foram identificadas individualmente as ruínas do restaurante, do Grupo Escolar e do Hospital São Francisco. Além destas edificações, também foi feita uma ficha de inventário do conjunto de todas as ruínas identificadas na época, incluído aquelas que se referem as edificações que tinham uso residencial. A partir deste levantamento foi feito um mapa destas ruínas que pode ser acessado na versão completa do IPAC arquivada na Divisão de Cultura da Prefeitura Municipal de Três Marias.

O processo histórico que foi descrito acima levou a formação de outros bens materiais que também foram considerados de grande valor simbólico para a história de Três Marias durante o inventário. Estes são bens móveis ligados à instalação e funcionamento da usina hidrelétrica e foram incorporados ao patrimônio da Cemig em diferentes momentos históricos, tornando-se peça museal a partir do Projeto Usina por dentro, realizado pela empresa em 1998, quando foi criado um espaço para guarda de seu acervo histórico. Deste acervo, foram inventariados quatro bens, sendo eles um relé de distância, um voltímetro, um pressoato e um regulador de tensão.
















segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Seção I – Bens culturais da CODEVASF

A história da Codevasf está associada à importância do Rio São Francisco no âmbito do crescimento social e econômico brasileiro. A Constituição de 1946 reconheceu a importância do Rio ao inserir, no Ato das Disposições Transitórias, o artigo 29, que determinou a execução de um plano de aproveitamento das possibilidades econômicas do São Francisco e seus afluentes, num prazo de 20 anos, aplicando-se quantia anual não inferior a 1% da renda tributária da União.

Em decorrência, nasceu a Comissão do Vale do São Francisco - CVSF criada pela Lei nº 541 de 15 de dezembro de 1948, que atuou durante os 20 anos estabelecidos pela Constituição. Para sucedê-la foi criada, em 28 de fevereiro de 1967, pelo Decreto-Lei nº 292, a Superintendência do Vale do São Francisco - SUVALE, autarquia vinculada ao extinto Ministério do Interior.

Em 16 de julho de 1974, através da Lei nº 6.088, para suceder a SUVALE foi criada a Codevasf - Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, com sede e foro no Distrito Federal. Destinada a promover o desenvolvimento das regiões inseridas na bacia do rio São Francisco, utilizando a irrigação como força propulsora, atua nos Estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e parte do Distrito Federal, perfazendo 640.000 km² do Vale. De acordo com a Lei nº 9.954, de 6 de janeiro de 2000, a Codevasf passou a atuar também, no vale do rio Parnaíba, numa área de 340.000 km², abrangendo os Estados do Maranhão e Piauí.

Em Três Marias, a Codevasf teve uma importância crucial durante a implantação da barragem e da hidrelétrica. Apesar de não possuir um acampamento específico para seus funcionários, a CODEVASF era a proprietária de todas as terras onde encontravam-se assentados os acampamentos, as obras e parte de seu entorno. Por esse motivo, a empresa teve um grande influência na conformação do traçado urbano e no mercado imobiliário local.

A edificação de maior destaque da Codevasf era a Casa de Visitas que recebia políticos, empresários e altos funcionários da empresa, além de ser palco de festividades para essa elite social. Na memória da população de Três Marias, a casa de visitas da Codevasf marcava o local onde o presidente Juscelino Kubitschek ficava hospedado. Esta edificação possuía 15 cômodos, sendo dez quartos, uma sala, uma cozinha, uma despensa e dois quartos para funcionários. Segundo o livro Memórias de Três Marias, o quarto nº 9, a única suíte da casa, era o local onde JK fica hospedado e teria sido preservado até a demolição da edificação.

Parte do mobiliário que compunha a casa foi transferido para o escritório atual da Codevasf, sendo que as ruínas da antiga casa de visitas e dois móveis que apresentam um design moderno típico das décadas de 1950 e 1960 foram inventariados no ano de 2006.




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Seção I - Bens culturais da Vila Satélite

A Vila Satélite é um dos mais importantes marcos de formação da cidade de Três Marias. O inventário abordou a história desta antiga vila através de seis bens culturais que fazem parte do atual Núcleo Histórico Igreja da Satélite, sendo um bem arquitetônico e cinco bens móveis.

O mais significativo deles é, sem dúvida, a Capela de São Pio X, restaurada em  2006 e aberto a visitação em 01 de março de 2007, quando passou a funcionar como um centro de memória que abriga diversos bens, entre eles quatro imagens que foram inventariadas; São Pio X, Nossa Senhora das Dores, Cristo Morto e Senhor dos Passos. Estas imagens formam o acervo original da Capela de São Pio X que era a edificação mais expressiva da antiga Vila Satélite, acampamento construído para abrigar milhares de famílias dos operários que vieram construir a barragem de Três Marias.

Reconhecida pela população local como o templo católico mais antigo da zona urbana de Três Marias, a Capela teria sido construída na segunda metade da década de 1950 e, em 1965, serviria interinamente como sede da recém-criada Paróquia de Nossa Senhora Mãe da Igreja.

Com a finalização da construção da Igreja Matriz no centro da antiga cidade de Barreiro Grande, em 1967, a Capela São Pio X perdeu o posto de templo central do catolicismo da cidade. Alguns anos depois, entre 1970 e 1971, terminada a construção da Barragem e por ordens do governo militar brasileiro, com o argumento de que o local era Área de Segurança Nacional, a Vila Satélite foi demolida. A retirada da população não foi feita sem protestos e muita polêmica, marcando a memória de milhares de moradores que ali viveram. Devido a estes acontecimentos a Capela São Pio X ficou abandonada por aproximadamente três décadas.

Em 2006, quando foi inventariada, a Capela se encontrava em avançado estado de degradação e sua importância histórica para o município motivou a  realização de um projeto de restauração financiado pela Prefeitura Municipal de Três Marias através do ICMS - Patrimônio cultural e elaborado pelo Arquiteto Fernando Marques Pimenta.

Entregue em março de 2007 para a comunidade, este bem atualmente abriga um acervo de bens móveis ligados à história da Capela e à formação da Vila Satélite e da formação da cidade de Três Marias.


Além das imagens de Pio X, Nosso Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores e do Cristo Morto, a capela abriga também outro bem inventariado no ano de 2006. Este é o capacete de operário encontrado por mergulhadores dentro do Lago de Três Marias durante uma vistoria realizada na região de tomada d’agua da barragem no ano de 2004. Representando a memória de milhares de operários que vieram de diversos locais do país, especialmente do nordeste, para trabalhar na construção da barragem de Três Marias entre 1956 e 1961, esta peça é um dos destaques do acervo identificado durante o IPAC.







quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Seção I – Bens Culturais da Vila da Mineira

Como vimos, a cidade de Três Marias surgiu a partir de empreendimentos industriais de grande porte que terão grande impacto na história local e do Brasil. Um empreendimento significativo foi a construção da Companhia Mineira de Metais - CMM, fundada em 1956, e projetada para ser instalada bem próxima à barragem de Três Marias.

Apesar da construção da Vila da Mineira, como ficou conhecido o conjunto residencial destinado para funcionários da CMM, ter sido iniciada junto com a construção da fábrica seria somente na década de 1970 que ela estaria finalizada. Desta forma, os trabalhadores da empresa, e suas respectivas famílias, residiam na Vila da Satélite e no antigo povoado de Barreiro Grande. A demolição da Vila da Satélite no início da década de 1970 iria estimular a CMM a finalizar a sua própria vila que, aos poucos, ganhava o corpo de um bairro próprio de Três Marias.

Durante o inventário, buscou-se escolher um bem cultural que representasse a história da empresa e dos funcionários a ela ligados, este bem foi a Capela de Nossa Senhora Aparecida que foi construída no final da década de 1970. Na realidade, até o ano de 1977, a vila da Mineira não possuía um templo religioso católico próprio. As missas eram realizadas no antigo restaurante da vila. Com a vinda do Padre Antônio para a cidade no ano de 1976 começaram as negociações para construção de uma igreja na vila. Participaram ativamente deste processo o Sr. Vítor Santi, gerente da empresa na época e a Sra. Augustinha Zózimo que seria a primeira zeladora da igreja. Com recursos da Companhia Mineira de Metais a igreja foi construída no ano de 1977. Segundo o Sr. José Waldisser Neto, o projeto da igreja foi feito pelos próprios projetistas da empresa e responsabilidade pela execução da obra  foi do mestre de obras Claudinei Ramos.


A Capela de Nossa Senhora Aparecida da Vila da Mineira foi inaugurada no dia 12 de outubro de 1977. Nesta data, foi doada pelo Sr. Vítor e família a imagem da padroeira do templo.  O entorno da capela é hoje formado por uma praça muito bem cuidada, que não existia na época da inauguração da igreja, sendo criada na década de 1980 a partir dos esforços da Associação Atlética Mineira de Metalurgia. Atualmente, o templo faz parte da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, criada em 1998, com sede no templo de mesmo nome localizado no bairro de Joaquim de Lima.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Seção 1 – Bens culturais do acampamento do DNER

Como visto, a cidade de Três Marias será criada a partir do estabelecimento de diversos empreendimentos industriais de grande porte. Um destes empreendimentos foi a construção da atual BR 040 que ligaria o Rio de Janeiro ao Brasil Centro, onde estava sendo construída a nova capital Brasília.

No final década de 1950, Três Marias se tornaria um importante ponto de referência para esta obra, sendo construído o acampamento do DNER para abrigar os funcionários do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem - DNER, órgão federal responsável pela fiscalizar as obras de construção do maior projeto rodoviário do Brasil da época.

Dividida em trechos a construção da estrada foi realizada por diversas empreiteiras. A empreiteira responsável pelo trecho entre o ribeirão do boi e o rio São Francisco, incluindo a construção da monumental ponte sobre o rio São Francisco era a Companhia Triângulo. 

O acampamento da DNER era destinado para os funcionários do departamento e não para funcionários das empreiteiras. Localizado entre o povoado de Barreiro Grande e a Vila Satélite, o acampamento possuía em torno de 30 edificações destinadas para residências, além da casa de visitas, alojamento para os funcionários solteiros, escritórios e edificações destinadas a prestações de serviços da rodovia.

Durante o IPAC, foram feitas duas fichas de inventário relativas a este acampamento. Uma delas era o antigo alojamento de operários do DNER e a segunda é a edificação para abrigar o engenheiro responsável do DNER na localidade. Por escolha dos atuais proprietários, obtivemos autorização para divulgar as imagens apenas do antigo alojamento, que foi construído por volta de 1960 para os trabalhadores solteiros do DNER, a partir de um projeto do Sr. Ota, engenheiro responsável da época. Contudo, o Sr. Ota seria transferido na mesma época, deixando a cargo do Sr. Almir Albuquerque a finalização da obra. 

Assim como no acampamento da Cemig, a maior parte das edificações do acampamento do DNER tinha o alicerce de cimento, as paredes de madeira, com revestimento interno de Eucatex e cobertura de telhas de zinco.

No início da década de 1970, o DNER não queria mais manter sob sua responsabilidade o acampamento e iniciou um processo de retirada dos antigos funcionários da localidade. Durante esse processo boa parte das residências foi desmanchada e os alojamentos e as edificações que restaram passaram a ser ocupadas por funcionários de empreiteiras que trabalhavam na região.

Na segunda metade da década de 1970, antigos funcionários que sentiam-se injustiçados por terem sido expulsos do acampamento mobilizar-se-iam em torno da luta pela propriedade dos lotes onde moravam. Os conflitos estabelecidos entre os administradores do DNER  e os antigos funcionários renderia aos últimos o direito de comprar da SUVALE – Superintendência do Vale do São Francisco , antiga CVSF – Comissão do Vale do São Francisco, os lotes que abrigavam suas residências por um valor simbólico.

Neste época, o alojamento seria então ocupado pelo senhor Antônio Joca de Lima, antigo funcionário do DNER, que o adquiriu da SUVALE. Após o falecimento do Sr. Antônio Joca de Lima a edificação entrou em processo de inventário, encontrando-se ainda na mesma situação.




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Seção I – Bens culturais imóveis do antigo Barreiro Grande

Como visto até aqui, a implantação de grandes empreendimentos industriais e energéticos nas margens do Rio São Francisco implicou em enormes transformações sociais, ambientais e econômicas para região. Uma das mais significativas delas foi o surgimento da cidade de Barreiro Grande, centro urbano que teve rápido crescimento agregando pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo e que, em 1975, passaria a ser oficialmente conhecido como Três Marias. 

Consolidada como sede municipal em 1963, existem diversas versões que mostram diferentes percepções do início da cidade de Barreiro Grande. Alguns depoimentos levantados durante o inventário indicam que o atual centro de Três Marias foi formado a partir do loteado da antiga Fazenda Barreiro Grande, de propriedade de José Pereira de Freitas, que passou a abrigar os operários da obra, além de aventureiros e pequenos comerciantes. Outros apontam a antiga Fazenda Forquilha como principal referência que antecede a urbanização da localidade. Esta fazenda foi herdada por Edite Pereira de Freitas, esposa do Sr. Joaquim Cândido Gonçalves que teria sido o maior pioneiro no ramo imobiliário local, vendendo lotes para pessoas interessadas em implantar no antigo povoado de Barreiro Grande atividades comerciais. 

Existem ainda aqueles que argumentam que, boa parte dos lotes hoje densamente ocupados da cidade, teria sido vendida ou doada pela Codevasf especialmente após a demolição da Vila Satélite e do acampamento da Cemig.

Mesmo sem definir uma versão única que seja capaz de sintetizar de forma absoluta o processo inicial de formação urbana de Três Marias, podemos indicar que cronologicamente esta trajetória se inicia na segunda metade da década de 1950, com a formação de um povoado que iria receber um movimento intenso de pessoas atraídas pela oferta de trabalho nas grandes obras ou advindas do fluxo migratório criado pela construção da nova capital em Brasília, uma vez que Três Marias se tornou um importante entreposto entre o planalto central e as regiões sudeste e nordeste do país.

Buscando identificar bens culturais que representassem este processo de urbanização, reunimos neste grupo 15 bens imóveis que fazem parte da seção I. Estes bens revelam diferentes aspectos da formação urbana de Três Marias mostrando edificações religiosas, comerciais e residenciais que representam a singeleza da arquitetura inicial da cidade.

A primeira delas é a antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe da Igreja que representava, em parte, o processo de consolidação do Barreiro Grande como principal centro cultural do município. Isso porque, em abril de 1965, quando foi erigida a Paróquia de Nossa Senhora Mãe da Igreja de Barreiro Grande, a sede paroquial era exercida pela Capela de São Pio X, localizada na Vila Satélite. Em outubro deste mesmo ano iniciou-se a construção da igreja matriz que fora finalizada em 1967. Desenhada pelo senhor Edson Gandra, os recursos para a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe da Igreja foram adquiridos através de doações da comunidade, sob a liderança dos senhores Quintiliano Amaral Balsamão e Sansão Carvalho. Diversas pessoas da comunidade referem-se ao período de construção como um momento de efervescência da vida cultural da cidade. A realização de festas com barraquinhas e campanhas de arrecadação é lembrada com saudosismo por muitos moradores, algo que nos mostra indícios de que a população recém-chegada ao local se unia em torno de projetos comuns e, consequentemente, começava a elaborar uma identidade particular do cidadão trimariense. Inventariada em 2006, o edifício da Matriz foi demolido a poucos anos para dar lugar a uma nova matriz que está em construção.

Em relação aos bens imóveis que tiveram uso oficial no surgimento de Três Marias, o IPAC identificou duas pequenas edificações que abrigaram a Câmara Municipal e a Delegacia ainda na década de 1960. O imóvel designado como Primeira Câmara Municipal é das primeiras edificações do povoado de Barreiro Grande e é bastante representativa da história e arquitetura da origem da cidade.  A primeira forma de ocupação do imóvel teria sido como Bar do Sr. Ananias. Segundo informantes locais, no local aconteceriam diversas reuniões políticas importantes para organização do processo de emancipação do Barreiro Grande. Após a emancipação, segundo o Sr. Pedro Falcão, teria sido instalada ali a Câmara Municipal que permanecera no local até 1967.

Já a Primeira Delegacia de Barreiro Grande teria sido construída por volta de 1960 e alugada na segunda metade da década de 1960 para o governo estabelecer ali a primeira delegacia do Barreiro Grande. Vale dizer que, na realidade, a primeira delegacia do município era localizada no acampamento da Cemig, mas que com a deflagração do Golpe Militar e retomada o projeto de desativação do acampamento, a retirada da delegacia seria uma das primeiras evidências que os serviços oficiais se centralizariam no antigo Barreiro Grande nos anos seguintes.

No inventário, buscamos identificar alguns dos antigos comércios que foram fundantes da cidade, destacando-se entre eles o tradicional  Bar e Pensão São Jorge, um dos imóveis que acompanha a trajetória de formação do centro urbano de Três Marias desde a década de 1950. Preservando boa parte de suas características originais, a Pensão São Jorge foi criada pelo senhor Tertuliano Pedro Santana, que chegou a Três Marias na segunda metade da década de 1950 para trabalhar na construção da barragem do rio São Francisco. Em pouco tempo, seu Tertuliano teria abandonado os trabalhos da barragem e passou a dedicar-se ao comércio ambulante, vendendo frutas, salgados e doces no antigo povoado de Barreiro Grande. Com a intensa movimentação de pessoas na época, seu Tertuliano conseguiu ajuntar dinheiro e passou a investir em imóveis. Em 1960, seu Tertuliano adquiriu do senhor Jorge Borges da Silva um imóvel constituído de quatro cômodos sendo um deles um comércio. Este comércio continuou a funcionar ao longo de toda a década de 1960, se tornando também pousada para viajantes que, inicialmente, instalavam-se em redes suspensas dentro do próprio comércio. Um importante incentivo para o crescimento e consolidação do Bar e Pensão São Jorge foi que o ponto de ônibus da viação Princesa do Agreste, que trazia pessoas do Nordeste para trabalhar em Brasília, era muito próximo deste comércio. Aos poucos, o proprietário foi ampliando seu negócio e construindo quartos nos fundos da edificação. Por volta de 1965, a Pensão São Jorge estava parcialmente formada. É importante ressaltar que a Pensão São Jorge é uma das poucas edificações que preserva as principais características da sua fachada original por mais de quatro décadas e é reconhecido como uma importante referência histórica por diversos moradores. 

Outra edificação que tive uso comercial destacado na história local foi o Comércio do senhor Zú inventariado como “Loja de costuras e loja Rose Cosméticos”.

As outras edificações que compõe o grupo tiveram origem de uso prioritariamente residencial. Sete delas se encontram no bairro central e mostram tendências arquitetônicas diferentes do final da década de 1950 e dos anos 1960 e 1970, tais como o uso de platibandas recortadas, o uso de diferentes técnicas construtivas e de volumes arquitetônicos em construções que, de modo geral, não eram planejadas através da elaboração de um projeto técnico. Vale destacar que, entre todas, somente o imóvel designado como “Salão Ideal” fora construída seguindo um projeto arquitetônico prévio, sendo ela pioneira na cidade neste quesito.

Outras duas edificações representam de maneira breve parte da expansão urbana para além da área central de Três Marias. A mais antiga delas é a primeira residência do Bairro Joaquim de Lima, que também foi moradia do senhor Joaquim Antônio  de Lima  e de sua família. Durante a realização do inventário, foi identificado que a história desta edificação nos permite compreender diversos aspectos da formação da sede urbana de Três Marias, sobretudo do bairro Joaquim Lima.

Isso porque a família do sr. Joaquim de Lima é natural de Corinto veio para a região da atual Três Marias em 10 de setembro de 1950. Compraram uma fazenda denominada na época Pontal do Borrachudo com uma área aproximada de 710 hectares localizada na margem do rio São Francisco da barra do Córrego Barreiro Grande até a barra do Córrego do Grotão. A sede da fazenda era na época no local denominado Buritizinho.

 No ano de 1956, o Sr. Joaquim Antônio de Lima resolveu fazer um loteamento no Buritizinho, chegando esse loteamento a ter comércio e algumas residências. A instalação de um galpão para armazenamento de explosivos próximo ao nascente bairro do Buritizinho gerou a desapropriação de todos os moradores da localidade.

Estas seriam as primeiras desapropriações realizadas para execução da obra. Após a desapropriação, o Sr. Joaquim de Lima mudou-se para a edificação inventariada e resolveu investir no mercado imobiliário, loteando a localidade e criando o bairro Joaquim de Lima.

A última edificação que compõe este grupo foi designada no inventário como “Residência da Dona Cecília” e marca um aspecto importante da história urbana de Três Marias por representar as consequências do processo de demolição da Vila Satélite, evento que mobilizou a formação de novos bairros e ocupações no entorno da região central da antiga Barreiro Grande.

Levantada durante as pesquisas do inventário, a Dona Cecília Alves Costa mudou para o localidade na segunda metade da década de 1950, acompanhando seu esposo que trabalharia na barragem e depois na Companhia Mineira de Metais/CMM.

Por volta de 1960, toda a família mudou-se para a Vila Satélite vivendo nesta localidade aproximadamente por dez anos. Entre os anos de 1970 e 1971, com a destruição da Vila Satélite, sua família esteve entre as famílias que reivindicava uma moradia, sendo transferida pouco tempo depois para o recém-criado bairro Ermírio de Moraes, local onde mora desde então.

Este bairro foi projetado pela CMM e todas as edificações eram semelhantes, compostas por 03 (três) cômodos. As casas eram destinadas às famílias de empregados desalojadas pela destruição da Satélite. Segundo Dona Cecília a empresa ergueu apenas a estrutura da casa e cabia a cada morador terminar os acabamentos. No entanto, a residência de Dona Cecília, apesar de já possuir os alicerces para ampliação da residência, foi a única do bairro Ermírio de Moraes que preservou sua volumetria original e aspectos originais até a época do inventário. Neste sentido, a edificação apresenta traços fundamentais da arquitetura residencial urbana de Três Marias, que poderiam ser compreendidos como um modelo que evoluiria difundindo-se por toda cidade.
















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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Seção I – Arquivos históricos da sede urbana de Três Marias


Assim como os outros bens culturais da sede urbana, os três arquivos inventariados representam também o processo de consolidação do antigo Barreiro Grande na cidade de Três Marias, sendo todos eles iniciados na década de 1960.

O mais antigo dos acervos documentais inventariados nesta seção pertence ao Cartório de Três Marias. Na realidade este não foi o primeiro cartório do município, uma vez que o cartório de Registro Civil do Distrito de Andrequicé data do final do século XIX. Foi e é, contudo, o primeiro e único cartório a se estabelecer na cidade, sendo administrado por sua primeira tabeliã Senhora Ivanilde Ana dos Santos até a época do inventário.  Com documentos que datam de 1963 até a atualidade, o acervo abriga registros de nascimentos, óbitos, casamentos e outros documentos civis.


Os outros dois arquivos são provenientes do trabalho de duas instituições: a Paróquia de Nossa Senhora Mãe da Igreja e o Instituto Educacional Barreiro Grande – IEBG. A formação do arquivo da Paróquia ocorre com o estabelecimento das primeiras atividades paroquiais e, por isso, conta com documentos que se iniciam em 1965, quando a mesma é criada, e vão até a atualidade. Já o arquivo do IEBG tem início no ano de 1989, quando a escola começou a funcionar com a primeira série ginasial e o primeiro ano do curso normal.




quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Seção I – Sítios Naturais e Conjuntos Paisagísticos da Sede Urbana de Três Marias

A importância simbólica dos sítios naturais e conjuntos paisagísticos inventariados na seção I, compreendida pela sede urbana, transbordam os aspectos ambientais e naturais e invadem a vida cultural do município projetando a identidade ribeirinha que hoje representa a cidade de Três Marias em âmbito local e nacional. Neste contexto, o Rio São Francisco e o Lago de Três Marias destacam-se como os bens que melhor representam esta identidade, sendo vistos por muitos habitantes de Três Marias como o patrimônio cultural mais importante do município, uma vez que a origem da cidade estaria diretamente ligada à construção da barragem em seu leito.

Com seu fluxo controlado pela presença da barragem, o “Velho Chico” como é conhecido, apresenta vazão média de 707 metros cúbicos em Três Marias e delineia o limite do município de Três Marias com São Gonçalo do Abaeté. A ligação entre ambos os municípios é feita pela ponte da rodovia BR-040 que transpõe as águas do Velho Chico, a ponte foi inaugurada em 1957, tendo sido construída em paralelo à construção da barragem de Três Marias.

Já, o Lago da Represa, também conhecido carinhosamente como “Mar de Minas”, apresenta um reservatório composto por cerca de 21 bilhões de metros cúbicos de água e 1.040 quilômetros quadrados de superfície.  Constituído após a finalização da Barragem de Três Marias, em 1961, o Lago é o resultado direto de um grande projeto que tinha como principais objetivos represar as águas do Rio São Francisco para  controlar enchentes, melhorar as condições de sua navegabilidade e produzir energia elétrica.

No entanto, ao longo do tempo, se viu que o impacto social e ambiental da formação do lago gerou outros resultados muito importantes para a história local, tais como o estímulo ao turismo, ampliação da atividade pesqueira, modificações climáticas microrregionais e valorização das terras do entorno.

Em 2006, ano do inventário, a preservação ambiental do Rio São Francisco e do Lago era colocada como um grande desafio que dependia tanto da conservação de toda a bacia hidrográfica localizada à montante da represa quanto do uso sustentável das suas margens. Este desafio continua e ganhou novos contornos com a ampliação do parcelamento e comercialização de terras nas margens do Lago, expansão das áreas de monocultura do eucalipto sobre as nascentes e veredas, poluição advindas da atividade industrial e da ocupação urbana não planejada, entre outros problemas que, de certa forma, também estão descritos nas fichas de outros bens culturais que compõem este grupo, tais como os córregos Barreiro Grande, Buritizinho e Seco e a vereda denominada no inventário como Veredão.

Estes bens encontravam-se em elevado estado de degradação no momento do inventário. Os córregos Buritizinho e Seco são tributários do Córrego Barreiro Grande e todos eles sofrem forte exposição a diferentes fontes de poluição, uma vez que passam dentro do centro urbano de Três Marias.

Uma situação similar acontece com o Veredão que, em 2006, sofria com o uso e ocupação do entorno do sítio natural e desrespeito à suas margens legalmente instituídas como de preservação permanente. No inventário, também foi identificado que em alguns pontos a vereda é usada como local de abastecimento de água e dessedentação de animais o que ameaçava a qualidade e quantidade de água e consequentemente a preservação da vegetação no local. Além disto, a BR-040 representa um impasse ao desenvolvimento do Veredão, principalmente por não haver sido feito um sistema de drenagem ou transposição da vereda quando da construção da rodovia. Cabe indicar que em seu baixo curso os prolongamentos do Veredão se encontram formando o Córrego da Cascata das Virgens, à jusante do ponto em que é cortado pela BR-040. Neste córrego, se encontra a bela Cascata das Virgens, sítio composto pelo conjunto de duas quedas d’água naturais também inventariadas em 2006. A primeira delas, mais a montante do córrego, possui cerca de 8 metros de desnível, um poço pequeno e pouco profundo à jusante, a segunda queda se dispõe ao longo de uma escadaria natural.

Existem ainda dois outros bens culturais que fazem parte deste grupo e combinam com a paisagem contemplativa do entorno do Lago com a ocupação urbana gerada pela aglomeração de milhares de pessoas na cidade. Um deles é conhecido como Pedra do Mirante, ponto de visitação e apreciação da vista do Lago da Represa de Três Marias. Este local é uma referência turística para a cidade, sendo de grande representatividade para os moradores de Três Marias.

O outro é o famoso Morro do Cruzeiro que configura mais um mirante da cidade de Três Marias e entorno onde se localiza um cruzeiro. O belvedere formado por este sítio natural também integra a paisagem contemplativa do Lago com a cultura local criando um marco religioso que atrai peregrinos todo ano. Segundo a crença popular, em épocas de estiagem deve-se subir o morro com pedras e água e deposita-las na base do cruzeiro de modo a chamar chuvas.